Chegou o dia! Aperta daqui, empurra dali e acabamos de conseguir fechar as malas! Estamos nos despedindo do Burkina Faso, dessa vez... nunca se sabe né!?
As últimas semanas foram muito agitadas para terminarmos o nosso trabalho, dar tchau para todo mundo e fazer mais uma mudança. Apesar do corre-corre, tudo deu certo. Conseguimos revender quase tudo que tivemos que comprar quando chegamos. Fizemos uma lista que rolou em vários lugares e também preços por pacotes e muito atraentes para conseguirmos vender tudo rápido. Os burkinabeses que não são nada bobos, correram para aproveitar essa pechincha! No final foi mais fácil do que pensamos e o nosso amigo Bakary, que comprou a cama, foi gente boa e deixou o colchão com a gente para passarmos a última noite em casa!
Como sempre é por aqui, programamos tudo e as coisas saem um pouco diferentes pois na última hora passa gente em casa e no dia em que saímos de Dédougou (sexta-feira passada), às 6 horas da manhã, já tinha começado o movimento! Era o Dramane (nosso amiguinho) para nos dar um presente. Ele veio cedo porque a aula dele começa às 7h! O presente é uma canoa esculpida em madeira que o irmão dele fez.
As despedidas foram muito emocionantes! Em casa recebemos vários amigos. Nossos vizinhos Robert e Odete (filha do Fidèle) nos deram de lembrança uma bebida bem típica, tipo uma água de côco tirada diretamente do caule das palmeiras, que tem na região de Banfora. Também nos presentearam com um lindo tecido tradicional.
A despedida do nosso amigo Fidèle também foi muito emocionante, ele aproveitou para nos dar bençãos para o nosso casamento e, principalmente, nos deu conselhos para manter a harmonia entre nós, dando especial importância para a compreensão. Nos despedimos com um forte abraço!
Na véspera da nossa partida, nos despedimos da Francine e de outros amigos. Passamos nos dois mercadinhos de Dédougou para resolver últimos detalhes e ganhamos de presente uma coca-cola de um e um biscoito de outro. Passamos também na missão das Irmãs da Madre Tereza e ganhamos de lembrança um porta-retrato com uma foto dela. A noite, jantamos com a equipe da UGCPA no maquis do Tierry. Dele ganhamos camisetas de lembrança da La Rotonde. Vamos fazer propaganda de Dédougou nas baladas pelo Brasil afora! E o presidente da União pediu a palavra e falou em nome da equipe nos dando votos de boa viagem e agradecendo o bom séjour que tivemos entre eles.
O pessoal veio buscar as coisas em casa com charretes puxadas por asnos. No dia da partida, o pessoal da UGCPA veio nos buscar de carro, o que nos ajudou muito! Saímos então de Dédougou no dia 18 de dezembro de manhã e vários amigos foram se despedir da gente na "rodoviária". O Armand nos deixou de lembrança da troupe duas dabas e tecidos tradicionais que eles pintaram com as nossas iniciais. Ah! O Amado, de um dos mercadinhos, também nos deixou uma caixa embrulhada para presente, com laço e tudo, com uma bolsa pra Ju e camisas pra gente... dentro de uma caixinha de isopor. Gostamos muito de todas as lembranças!
Enfim, ônibus pronto e lá fomos nós! Passamos esses últimos dias em Ouagadougou resolvendo pequenas coisas, nos despedindo dos brasileiros (Marília, Leila e Daniel) e refazendo as malas! Agora estamos quase prontos e passamos por aqui para deixar um último recadinho escrito em terras burkinabeses!
Obrigado a todos vocês que seguiram essa nossa aventura! teremos a ocasião de conversar ao vivo sobre isso tudo em breve, pois na quarta embarcamos para o Brasil! Afinal, o que pudemos escrever aqui é só uma pontinha de tudo o que vivemos nesses seis meses!
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
sábado, 12 de dezembro de 2009
E as despedidas começam
Semana passada o Pierre deixou Dédougou, agora ele vai morar em Ouagadougou, melhor, vai ficar direto lá, pois ele já tinha a casa dele com a Anne. O Pierre veio para o Burkina Faso fazer um estudo sobre impacto ambiental para a FARM (Fundação onde o Eric trabalha). Mas em outubro ele foi contratado, por tempo indeterminado, para ficar por aqui e coordenar um dos projetos da fundação (Projeto Vivrier). Esse projeto acontece não só aqui no Burkina mas também no Mali, Gana, Benin... isto é, o Pierre vai viajar bastante pela África do Oeste. Na semana passada também desembarcaram aqui o diretor da FARM (Bernard Bachelier) e diretor adjunto (Billy) para visitas oficiais e apresentações do estudo que o Pierre fez.
Bem, foi tão corrido que quando vimos... já tinha acontecido... as coisas estão em andamento... o tempo voando! Os amigos já tocam no assunto, os prazos chegam ao fim e a casa está aos poucos ficando mais vazia. Hora de levantar acampamento... de novo!
Nesta quinta-feira recebemos a visita do nosso professor de Dioula, Laurent, com a sua esposa, que está grávida, mais suas três filhas. Eles vieram pra gente conversar com mais calma antes da partida. Ultimamente não estávamos mais tendo aulas porque, além dos problemas de saúde que eles tiveram, Eric e Pierre não pararam em casa. Mas tivemos um contato muito amigável e ficamos contentes em ter tido esse momento com eles. Não tínhamos preparado nada de especial, mas a esposa do Laurent chegou aqui com uma panela de feijão verde com carne e outra com uma espécie de canjica (acho que não tem nada parecido no Brasil). Colocamos um desenho animado para as crianças assistirem. No final, o Laurent pediu para fazermos uma oração, com todos juntos. Ele fez uma oração muito bonita, agradecendo a Deus pela nossa amizade, nosso apoio e pedindo pela nossa saúde e proteção, nossa e da nossa família no Brasil. Rezamos juntos um Pai Nosso, cada um na sua língua e eles terminaram cantando pra gente... e eu terminei chorando!
Bem, foi tão corrido que quando vimos... já tinha acontecido... as coisas estão em andamento... o tempo voando! Os amigos já tocam no assunto, os prazos chegam ao fim e a casa está aos poucos ficando mais vazia. Hora de levantar acampamento... de novo!
Nesta quinta-feira recebemos a visita do nosso professor de Dioula, Laurent, com a sua esposa, que está grávida, mais suas três filhas. Eles vieram pra gente conversar com mais calma antes da partida. Ultimamente não estávamos mais tendo aulas porque, além dos problemas de saúde que eles tiveram, Eric e Pierre não pararam em casa. Mas tivemos um contato muito amigável e ficamos contentes em ter tido esse momento com eles. Não tínhamos preparado nada de especial, mas a esposa do Laurent chegou aqui com uma panela de feijão verde com carne e outra com uma espécie de canjica (acho que não tem nada parecido no Brasil). Colocamos um desenho animado para as crianças assistirem. No final, o Laurent pediu para fazermos uma oração, com todos juntos. Ele fez uma oração muito bonita, agradecendo a Deus pela nossa amizade, nosso apoio e pedindo pela nossa saúde e proteção, nossa e da nossa família no Brasil. Rezamos juntos um Pai Nosso, cada um na sua língua e eles terminaram cantando pra gente... e eu terminei chorando!
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Festival de Máscaras em Nimina
Saindo de Koin passamos por Toma para pegar nossas malas, sem ter muita certeza de que poderíamos voltar para casa ainda hoje, porque não sabíamos que horas as máscaras iam sair, só sabíamos que era de manhã e no final da tarde. Mas deu tudo certo!
Esse festival de máscaras acontece uma vez por ano, um ano é ano da mulher e dura 4 dias e o ano seguinte, é ano do homem e dura 3 dias. O número 4 simboliza a mulher por causa dos pequenos e grandes lábios vaginais e o número 3 representa o homem, dois testículos e o pênis. 2009 é o ano da mulher, então o festival dura 4 dias. As máscaras são feitas pelos escultores e durante o festival elas ficam na casa dos “portadores”, ambos são pessoas que tem esses papéis sociais na família. As máscaras são seres da floresta, tem a máscara mãe e as dos animais (hiena, elefante, búfalo, crocodilo, gazela, calao, cobra, etc) e elas vêm da floresta para o vilarejo, onde todos estão em círculo esperando para assistir a dança. Essa festa é então puramente animista, e embora muitos hoje sejam muçulmanos, protestantes ou católicos todos participam e se envolvem.
Chegamos então por volta das 16h30 em Nimina. Fidèle e Marília numa moto e nós dois na nossa. O vilarejo fica meio afastado e quando chegamos e paramos a moto, TODAS as crianças que estavam já em roda aguardando as máscaras chegarem, junto com o restante do povo, nos cercaram. Fomos então levados pelo Fidèle para conhecer o “chefe do vilarejo” e o “chefe dos costumes” sentados num tapete do outro lado da rua, separados do povo. Eles assistem à festa desse local, ficam ali sentados durante os 4 dias. Sentamos junto com eles e nos serviram o “dolô das máscaras”, feito especialmente para o festival.
Não esperamos muito e começou a correria, eram as máscaras chegando. Todos se organizaram em círculo para recebê-las. Elas vêm em fila e se sentam. Os músicos começam a cantar e o povo a bater palma, a primeira música é para a máscara mãe, para invocar os ancestrais. As máscaras respondem à invocação da música e vêm dançar. Depois da máscara mãe dançou o búfalo e depois a hiena. Essa primeira roda é rápida, é algo que vem aos poucos. São dias de preparação e depois de concentração até que todas elas se reúnem (podem chegar a 20). Depois de dançarem elas vão em direção ao monumento das máscaras que fica do outro lado da rua (do mesmo lado em que ficam os chefes), nesse momento as crianças saem correndo, desaparecem. As máscaras dançam ao redor do monumento e se despedem. Nessa última parte só participam as pessoas que organizam a festa, os ajudantes das máscaras e os músicos.
Foi rápido assim, mas é intenso. É uma energia boa e mística no ar...
Já estava anoitecendo quando acabou e mesmo não gostando muito da ideia de pegar a estrada, foi melhor ir para Dédougou do que voltar para Toma. A Marília então foi conosco para conhecer nosso canto, com a sua moto. Fidèle foi com o Eric e eu de carona no carro do Alphonse, que passou também para ver o festival. Sua mãe, Dona Josephine, é desse vilarejo e estava lá.
A viagem foi tranquila, só que o pneu do carro furou quase chegando em Dédougou. O Alphonse telefonou pedindo ajuda, mas Eric, Fidèle e Marília vinham atrás de moto e Eric e Fidèle entraram no vilarejo e pediram ajuda (por sorte paramos bem em frente de um) ... perdemos uns 40 min nessa mas chegamos todos bem, imundos, contentes e muito cansados!
Colocamos também um vídeo e fotos mostrando um pouco da festa!
Esse festival de máscaras acontece uma vez por ano, um ano é ano da mulher e dura 4 dias e o ano seguinte, é ano do homem e dura 3 dias. O número 4 simboliza a mulher por causa dos pequenos e grandes lábios vaginais e o número 3 representa o homem, dois testículos e o pênis. 2009 é o ano da mulher, então o festival dura 4 dias. As máscaras são feitas pelos escultores e durante o festival elas ficam na casa dos “portadores”, ambos são pessoas que tem esses papéis sociais na família. As máscaras são seres da floresta, tem a máscara mãe e as dos animais (hiena, elefante, búfalo, crocodilo, gazela, calao, cobra, etc) e elas vêm da floresta para o vilarejo, onde todos estão em círculo esperando para assistir a dança. Essa festa é então puramente animista, e embora muitos hoje sejam muçulmanos, protestantes ou católicos todos participam e se envolvem.
Chegamos então por volta das 16h30 em Nimina. Fidèle e Marília numa moto e nós dois na nossa. O vilarejo fica meio afastado e quando chegamos e paramos a moto, TODAS as crianças que estavam já em roda aguardando as máscaras chegarem, junto com o restante do povo, nos cercaram. Fomos então levados pelo Fidèle para conhecer o “chefe do vilarejo” e o “chefe dos costumes” sentados num tapete do outro lado da rua, separados do povo. Eles assistem à festa desse local, ficam ali sentados durante os 4 dias. Sentamos junto com eles e nos serviram o “dolô das máscaras”, feito especialmente para o festival.
Não esperamos muito e começou a correria, eram as máscaras chegando. Todos se organizaram em círculo para recebê-las. Elas vêm em fila e se sentam. Os músicos começam a cantar e o povo a bater palma, a primeira música é para a máscara mãe, para invocar os ancestrais. As máscaras respondem à invocação da música e vêm dançar. Depois da máscara mãe dançou o búfalo e depois a hiena. Essa primeira roda é rápida, é algo que vem aos poucos. São dias de preparação e depois de concentração até que todas elas se reúnem (podem chegar a 20). Depois de dançarem elas vão em direção ao monumento das máscaras que fica do outro lado da rua (do mesmo lado em que ficam os chefes), nesse momento as crianças saem correndo, desaparecem. As máscaras dançam ao redor do monumento e se despedem. Nessa última parte só participam as pessoas que organizam a festa, os ajudantes das máscaras e os músicos.
Foi rápido assim, mas é intenso. É uma energia boa e mística no ar...
Já estava anoitecendo quando acabou e mesmo não gostando muito da ideia de pegar a estrada, foi melhor ir para Dédougou do que voltar para Toma. A Marília então foi conosco para conhecer nosso canto, com a sua moto. Fidèle foi com o Eric e eu de carona no carro do Alphonse, que passou também para ver o festival. Sua mãe, Dona Josephine, é desse vilarejo e estava lá.
A viagem foi tranquila, só que o pneu do carro furou quase chegando em Dédougou. O Alphonse telefonou pedindo ajuda, mas Eric, Fidèle e Marília vinham atrás de moto e Eric e Fidèle entraram no vilarejo e pediram ajuda (por sorte paramos bem em frente de um) ... perdemos uns 40 min nessa mas chegamos todos bem, imundos, contentes e muito cansados!
Colocamos também um vídeo e fotos mostrando um pouco da festa!
Toma e Koin - uma missão
Como não podemos perder oportunidades, resolvemos esticar o final de semana e viajar para Toma. Nosso amigo Fidèle nos convidou para assistirmos o festival de máscaras de Nimina, que começaria na semana passada e foi adiado para este final de semana. Como Nimina é um pequeno vilarejo e fica muito perto de Toma (15 Km) nos hospedamos lá e convidamos a Marília pra ir com a gente. Mas dessa vez, aproveitando também que estaríamos por lá, fomos visitar um curandeiro, Jean Pierre, amigo do Fidéle, que mora em Koin (8 Km de Toma).
O plano era chegar na hora do almoço e visitá-lo à tarde e na segunda-feira ir para Nimina assistir o segundo dia de saídas das máscaras (que segundo dizem é o melhor dia) e de lá voltar para Dédougou; chegaríamos no início da tarde.
Fomos de ônibus de Ouaga para Toma, batizando a Marília nessa aventura. A viagem foi tranquila, triste foi que quase chegando, perto de um vilarejo, vimos uma criança sendo socorrida na beira da estrada, provavelmente morta atropelada.
Chegando em Toma nos damos conta, mais uma vez, que por aqui não adianta muito planejar o seu dia. Fidèle não estava, tinha ido num outro vilarejo para um funeral, mas seu filho Bernard nos acompanhou e depois de almoçar passeamos um pouco pela cidade. Dessa vez ficamos num hotel porque no dia anterior, sábado dia 28, teve o funeral anual, uma grande festa que reune os familiares daqueles que faleceram neste ano e a casa da família Ki-Zerbo, onde ficamos da outra vez, estava cheia. O Fidèle chegou no final da tarde, meio alegre de dolô, e fomos com a Marília na casa dessa mesma família (Ki-Zerbo) para tomar o dolô da Dona Josephine. Dessa vez estava conosco seu filho Alphonse, padre, que nos acolheu na sua casa na última vez.
Segunda-feira então retomamos o plano. Fomos cedo para a casa do Jean Pierre em Koin, que nos acolheu gentilmente e mandou preparar um frango pra gente. Bem, isso demorou, também tinham outras pessoas lá para serem atendidas. Ele trata as doenças com plantas medicinais e, por se tratar de um líder animista, não é só o aspecto físico que ele “vê”. Fomos primeiro nós dois e depois a Marília, sempre com o Fidèle traduzindo a conversa. Ele nos atende numa casinha cheia de fetiches e a conversa é bem tranquila, sentimos uma energia boa e a experiência foi legal... inesquecível. Depois que ele nos atendeu, almoçamos o tô de sorgô vermelho, molho de baobá e o frango que ele mandou preparar. Fomos embora, os três, com algumas missões para cumprir!
O plano era chegar na hora do almoço e visitá-lo à tarde e na segunda-feira ir para Nimina assistir o segundo dia de saídas das máscaras (que segundo dizem é o melhor dia) e de lá voltar para Dédougou; chegaríamos no início da tarde.
Fomos de ônibus de Ouaga para Toma, batizando a Marília nessa aventura. A viagem foi tranquila, triste foi que quase chegando, perto de um vilarejo, vimos uma criança sendo socorrida na beira da estrada, provavelmente morta atropelada.
Chegando em Toma nos damos conta, mais uma vez, que por aqui não adianta muito planejar o seu dia. Fidèle não estava, tinha ido num outro vilarejo para um funeral, mas seu filho Bernard nos acompanhou e depois de almoçar passeamos um pouco pela cidade. Dessa vez ficamos num hotel porque no dia anterior, sábado dia 28, teve o funeral anual, uma grande festa que reune os familiares daqueles que faleceram neste ano e a casa da família Ki-Zerbo, onde ficamos da outra vez, estava cheia. O Fidèle chegou no final da tarde, meio alegre de dolô, e fomos com a Marília na casa dessa mesma família (Ki-Zerbo) para tomar o dolô da Dona Josephine. Dessa vez estava conosco seu filho Alphonse, padre, que nos acolheu na sua casa na última vez.
Segunda-feira então retomamos o plano. Fomos cedo para a casa do Jean Pierre em Koin, que nos acolheu gentilmente e mandou preparar um frango pra gente. Bem, isso demorou, também tinham outras pessoas lá para serem atendidas. Ele trata as doenças com plantas medicinais e, por se tratar de um líder animista, não é só o aspecto físico que ele “vê”. Fomos primeiro nós dois e depois a Marília, sempre com o Fidèle traduzindo a conversa. Ele nos atende numa casinha cheia de fetiches e a conversa é bem tranquila, sentimos uma energia boa e a experiência foi legal... inesquecível. Depois que ele nos atendeu, almoçamos o tô de sorgô vermelho, molho de baobá e o frango que ele mandou preparar. Fomos embora, os três, com algumas missões para cumprir!
sábado, 28 de novembro de 2009
Aniversário da Ju com os elefantes
Aproveitamos que estávamos na capital para anteciparmos o final de semana, comemorar meu aniversário (dia 28) e curtir um pouquinho o lado turístico daqui antes de ir embora... falta pouco! Fomos para Nazinga com a Marília e a Marine (uma francesa de férias aqui, irmã do Jerôme que mora com a Marília e que trabalha com a Anne). Alugamos um 4X4 e saímos de Ouaga por volta das 13h em direção a Reserva de Nazinga. Esta reserva fica no sul de Burkina Faso, a cidade mais próxima se chama Pô a 145 Km de Ouaga. A reserva foi criada em 1979 por um canadense com o objetivo de proteger a fauna e manter o equilíbrio ecológico local, hoje é um espaço protegido também pelo governo burkinabês e muitos estudos são feitos na área. São 94.000 hectares em plena savana, a chamada Floresta de Nazinga, onde mais de 20.000 grandes mamíferos vivem livremente. Isso inclui todas as espécies presentes no país, com exceção dos leões que não estão mais nessa área.
Foi bem mais tranquilo viajar de carro ! Fomos curtindo a paisagem, que depois de Pô mudou um pouco, afinal estávamos entrando no “País dos Gourounsi”, etnia predominante local. Ainda na estrada principal entre Ouaga e Pô, Eric estava meio dormindo no carro e de repente viu pela janela “ih, um elefante”! Foi um susto!!!
Chegamos na entrada da reserva por volta das 17h, pagamos todas as taxas e iupiii! Mais 35 Km até chegar no acampamento! Pedimos o Djibril, nosso motorista, se poderíamos subir no teto para ver melhor a paisagem! Doeu o bumbum, mas adoramos! Logo nas primeiras horas vimos uma família de elefantes e pegamos um pôr-de-sol lindo! Eles desligam o gerador da reserva cedo (às 22h) e como não é muito aconselhável ficar perambulando à noite por causa das hienas, fomos dormir cedo. Fez muito frio mas o luar e silêncio da floresta nos embalou...
Acordamos às 6h, no dia 28, meu niver, empolgadíssimos para explorar a savana africana! O nascer-do-sol foi lindo, na beira do lago, tomando café da manhã, ouvindo os pássaros cantando e até um “bambi” que passou pulando! Subimos então no 4X4, nós 4 e o guia, no teto para não perder nada! O auge do passeio foi quando encontramos uma família de elefantes, bem perto da trilha por onde passamos. A mamãe ficou brava e veio botar a gente pra correr! O engraçado foi que o motorista ficou com mais medo do que a gente e correu mais do que precisava... foi muito legal (vejam o vídeo abaixo)!!!
Vimos então elefantes, famílias de elefantes... os bebês são fofos demais! Vimos famílias de “bambis” igual no desenho, malhadinhos; de alces e de javalis que para nós é o “pumba” (personagem do filme do Rei Leão). Também vimos diferentes espécies de antílopes: a palanca (Hippotragus), a palanca-vermelha (Hippotragus equinus), o cob-comum (Kobus kob) e o bauala ou gazela-pintada (Tragelaphus scriptus). Vimos um babuíno comendo tranquilamente numa árvore e muitos muitos pássaros diferentes e coloridos, um mais lindo do que o outro!
Foi show!
Tivemos que voltar para Ouaga no final da manhã porque Eric e Marília tinham compromisso, mas ficamos todos felizes com o nosso passeio! Passamos num maquis com a Anne, a Marine, o Jerôme e a Leila e no final da tarde assistimos uma peça de teatro no CCF. E, ainda, nosso amigo Jacques (agora aposentado mas que trabalha com o Eric na Fundação) chegou em Burkina Faso para uma semana de missão para um novo projeto... carinhosamente lembrou do meu aniversário e além de um presentinho nos deu um pedação de queijo comté!!! Fechando o dia, quase às 2h da manhã, mamãe, papai e Rapha cantaram parabéns e assopraram velhinha pra mim pelo Skype! Adorei e estou com vontade desse bolo até agora! Enfim, bem diferente esse meu dia!
... na véspera do nosso passeio, na quinta-feira à noite, a Claire, o Pierre e a Anne fizeram um bolinho para comemorarmos com direito a presente e tudo, pra mim e para o Eric atrasado! Umas graças!
Vejam a montagem que fizemos com os filminhos e as fotos!
domingo, 22 de novembro de 2009
Ouaga – Parte III
Partimos novamente para Ouaga. Mesmo esquema de sempre: sobe moto, sobe cabra, sobe cordeiro, sobe galão de plástico, sobe sacos, sobe malas, espera o ônibus “ficar pronto”... uma hora de atraso! Ok, ônibus lotado e vambora! O ônibus dessa vez estava reformado, pintadinho, com as janelas ok. Um tempo depois de viagem começa a gritaria “pára que o cordeiro quer descer!” O cordeiro estava com as patinhas caindo do teto do ônibus, esperneando! Pára tudo, arruma o bichinho e vambora! Mais pra frente novamente a gritaria “Hei! Tem gasolina escorrendo do teto!” E o povo correndo para fechar as janelas. Sim, alguém “transportou” gasolina em galão de plástico, não fechou bem, não devem ter avisado ao pessoal que “arruma” o ônibus... e dá nisso. Perigo! Mais pra frente novamente gritaria ““pára que a cabra quer descer!”. Pindurada, esperneando, coitadinha. Pára tudo, arruma o bichinho e vambora! Mais pra frente, levo um susto com o Eric vindo pra cima de mim fechando a janela, era ainda a gasolina, dessa vez escorrendo pela minha janela. Levei umas gotinhas que me perfumaram o resto do dia! E... nisso tudo lá se vai o aspecto “novinho” do ônibus. A estrada estava péssima e dessa vez batemos o recorde: O I T O H O R A S de viagem (só pra lembrar: são 230 Km)!
Quando chegamos em Ouaga só deu para pensar em tomar banho, comer e dormir... meio calados. Mas deu tempo de matar a saudade de uma pizza! Dessa vez temos muita coisa pra fazer em Ouaga. Nós dois viemos, principalmente, para participar de eventos. Eric foi no Fórum TIC Agricultura e eu nas Jornadas Científicas Res@tice 2009 ... que felizmente calharam nas mesmas datas! Para ambos foi muito legal ter participado. No Res@tice tinham participantes de 20 países (Burkina Faso, França, Canadá, Bélgica, Egito, Marrocos, Camarões, Tunísia, Arábia Saudita, etc) e eu era a única da América Latina. Foi legal principalmente para conhecer o que está sendo discutido nesses países e constatar que, guardada as devidas proporções, os desafios são os mesmos: vontade política, capacitação e formação de pessoal. O Fórum TIC Agricultura reuniu da região vindos não só de Burkina Faso mas também do Mali, da Costa do Marfim e do Gana.
Também aproveitamos para visitar a Cour aux 100 métiers da ATD Quarto Mundo aqui no Burkina Faso... adoramos! Nossas amigas Cíntia e Mariana, voluntárias permanentes, nos ajudaram a entrar em contato com o pessoal daqui e tivemos um encontro muito interessante.
Também reencontramos a Claire, amiga do Pierre e da Anne que estava no finalzinho das suas férias por aqui e, numa das nossas passagens pelo trabalho da Anne (CCF), reencontramos os brasileiros que conhecemos da outra vez, a Marília e o Daniel que dessa vez estava com a sua namorada. Ela se chama Leila e apesar de ser belga, é mais brasileira que outra coisa! Ai que saudade!
Quando chegamos em Ouaga só deu para pensar em tomar banho, comer e dormir... meio calados. Mas deu tempo de matar a saudade de uma pizza! Dessa vez temos muita coisa pra fazer em Ouaga. Nós dois viemos, principalmente, para participar de eventos. Eric foi no Fórum TIC Agricultura e eu nas Jornadas Científicas Res@tice 2009 ... que felizmente calharam nas mesmas datas! Para ambos foi muito legal ter participado. No Res@tice tinham participantes de 20 países (Burkina Faso, França, Canadá, Bélgica, Egito, Marrocos, Camarões, Tunísia, Arábia Saudita, etc) e eu era a única da América Latina. Foi legal principalmente para conhecer o que está sendo discutido nesses países e constatar que, guardada as devidas proporções, os desafios são os mesmos: vontade política, capacitação e formação de pessoal. O Fórum TIC Agricultura reuniu da região vindos não só de Burkina Faso mas também do Mali, da Costa do Marfim e do Gana.
Também aproveitamos para visitar a Cour aux 100 métiers da ATD Quarto Mundo aqui no Burkina Faso... adoramos! Nossas amigas Cíntia e Mariana, voluntárias permanentes, nos ajudaram a entrar em contato com o pessoal daqui e tivemos um encontro muito interessante.
Também reencontramos a Claire, amiga do Pierre e da Anne que estava no finalzinho das suas férias por aqui e, numa das nossas passagens pelo trabalho da Anne (CCF), reencontramos os brasileiros que conhecemos da outra vez, a Marília e o Daniel que dessa vez estava com a sua namorada. Ela se chama Leila e apesar de ser belga, é mais brasileira que outra coisa! Ai que saudade!
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Aniversário do Mardoché
Às 7h30 da manhã telefona um senhor do mercado que ficou de arrumar mandioca pra gente. Tínhamos pedido pouco, mas veio muito. Pensamos então que seria uma boa tentar fazer bolinhos de aipim... "mas com o quê dentro? Hum... queijo! O queijo das freiras!" As freiras que fazem o queijo moram a uns 5 Km de Dédougou... tudo por um queijo!
Passamos na casa da Francine e o nosso amigo Mardoché (filho do meio) estava emburrado porque não ia ter nada para comemorar o aniversário dele. Só que o Pierre já tinha combinado que eles iriam na nossa casa no final da tarde. Enquanto isso nós fomos atrás do queijo!
Chegamos em casa e fomos direto começar os preparativos e o Mardoché ajudou a gente a fazer os bolinhos! Como na casa dele não tem cozinha, tudo é legal, ele mexe em tudo e temos que ficar muito atentos, tínhamos que arrumar algo pra ele fazer logo:


Bem, nosso bolinho ficou muito bom! Delicioso! Adoramos! Ficamos suspirando quando experimentamos os primeiros e, como uma dupla que faz um ponto, vibramos: A B A L O U nosso bolinho! Falamos com tanta entonação que o Mardoché repetiu igualzinho: abalou! Rimos muito!!!

Foi um sábado “agitado” depois dos dias que passei de molho com o pé pra cima! Apesar de ter recebido várias visitas :) já estava cansada!
Passamos na casa da Francine e o nosso amigo Mardoché (filho do meio) estava emburrado porque não ia ter nada para comemorar o aniversário dele. Só que o Pierre já tinha combinado que eles iriam na nossa casa no final da tarde. Enquanto isso nós fomos atrás do queijo!
Chegamos em casa e fomos direto começar os preparativos e o Mardoché ajudou a gente a fazer os bolinhos! Como na casa dele não tem cozinha, tudo é legal, ele mexe em tudo e temos que ficar muito atentos, tínhamos que arrumar algo pra ele fazer logo:
Bem, nosso bolinho ficou muito bom! Delicioso! Adoramos! Ficamos suspirando quando experimentamos os primeiros e, como uma dupla que faz um ponto, vibramos: A B A L O U nosso bolinho! Falamos com tanta entonação que o Mardoché repetiu igualzinho: abalou! Rimos muito!!!
Foi um sábado “agitado” depois dos dias que passei de molho com o pé pra cima! Apesar de ter recebido várias visitas :) já estava cansada!
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