sábado, 12 de dezembro de 2009

E as despedidas começam

Semana passada o Pierre deixou Dédougou, agora ele vai morar em Ouagadougou, melhor, vai ficar direto lá, pois ele já tinha a casa dele com a Anne. O Pierre veio para o Burkina Faso fazer um estudo sobre impacto ambiental para a FARM (Fundação onde o Eric trabalha). Mas em outubro ele foi contratado, por tempo indeterminado, para ficar por aqui e coordenar um dos projetos da fundação (Projeto Vivrier). Esse projeto acontece não só aqui no Burkina mas também no Mali, Gana, Benin... isto é, o Pierre vai viajar bastante pela África do Oeste. Na semana passada também desembarcaram aqui o diretor da FARM (Bernard Bachelier) e diretor adjunto (Billy) para visitas oficiais e apresentações do estudo que o Pierre fez.

Bem, foi tão corrido que quando vimos... já tinha acontecido... as coisas estão em andamento... o tempo voando! Os amigos já tocam no assunto, os prazos chegam ao fim e a casa está aos poucos ficando mais vazia. Hora de levantar acampamento... de novo!

Nesta quinta-feira recebemos a visita do nosso professor de Dioula, Laurent, com a sua esposa, que está grávida, mais suas três filhas. Eles vieram pra gente conversar com mais calma antes da partida. Ultimamente não estávamos mais tendo aulas porque, além dos problemas de saúde que eles tiveram, Eric e Pierre não pararam em casa. Mas tivemos um contato muito amigável e ficamos contentes em ter tido esse momento com eles. Não tínhamos preparado nada de especial, mas a esposa do Laurent chegou aqui com uma panela de feijão verde com carne e outra com uma espécie de canjica (acho que não tem nada parecido no Brasil). Colocamos um desenho animado para as crianças assistirem. No final, o Laurent pediu para fazermos uma oração, com todos juntos. Ele fez uma oração muito bonita, agradecendo a Deus pela nossa amizade, nosso apoio e pedindo pela nossa saúde e proteção, nossa e da nossa família no Brasil. Rezamos juntos um Pai Nosso, cada um na sua língua e eles terminaram cantando pra gente... e eu terminei chorando!

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Festival de Máscaras em Nimina

Saindo de Koin passamos por Toma para pegar nossas malas, sem ter muita certeza de que poderíamos voltar para casa ainda hoje, porque não sabíamos que horas as máscaras iam sair, só sabíamos que era de manhã e no final da tarde. Mas deu tudo certo!

Esse festival de máscaras acontece uma vez por ano, um ano é ano da mulher e dura 4 dias e o ano seguinte, é ano do homem e dura 3 dias. O número 4 simboliza a mulher por causa dos pequenos e grandes lábios vaginais e o número 3 representa o homem, dois testículos e o pênis. 2009 é o ano da mulher, então o festival dura 4 dias. As máscaras são feitas pelos escultores e durante o festival elas ficam na casa dos “portadores”, ambos são pessoas que tem esses papéis sociais na família. As máscaras são seres da floresta, tem a máscara mãe e as dos animais (hiena, elefante, búfalo, crocodilo, gazela, calao, cobra, etc) e elas vêm da floresta para o vilarejo, onde todos estão em círculo esperando para assistir a dança. Essa festa é então puramente animista, e embora muitos hoje sejam muçulmanos, protestantes ou católicos todos participam e se envolvem.

Chegamos então por volta das 16h30 em Nimina. Fidèle e Marília numa moto e nós dois na nossa. O vilarejo fica meio afastado e quando chegamos e paramos a moto, TODAS as crianças que estavam já em roda aguardando as máscaras chegarem, junto com o restante do povo, nos cercaram. Fomos então levados pelo Fidèle para conhecer o “chefe do vilarejo” e o “chefe dos costumes” sentados num tapete do outro lado da rua, separados do povo. Eles assistem à festa desse local, ficam ali sentados durante os 4 dias. Sentamos junto com eles e nos serviram o “dolô das máscaras”, feito especialmente para o festival.

Não esperamos muito e começou a correria, eram as máscaras chegando. Todos se organizaram em círculo para recebê-las. Elas vêm em fila e se sentam. Os músicos começam a cantar e o povo a bater palma, a primeira música é para a máscara mãe, para invocar os ancestrais. As máscaras respondem à invocação da música e vêm dançar. Depois da máscara mãe dançou o búfalo e depois a hiena. Essa primeira roda é rápida, é algo que vem aos poucos. São dias de preparação e depois de concentração até que todas elas se reúnem (podem chegar a 20). Depois de dançarem elas vão em direção ao monumento das máscaras que fica do outro lado da rua (do mesmo lado em que ficam os chefes), nesse momento as crianças saem correndo, desaparecem. As máscaras dançam ao redor do monumento e se despedem. Nessa última parte só participam as pessoas que organizam a festa, os ajudantes das máscaras e os músicos.

Foi rápido assim, mas é intenso. É uma energia boa e mística no ar...

Já estava anoitecendo quando acabou e mesmo não gostando muito da ideia de pegar a estrada, foi melhor ir para Dédougou do que voltar para Toma. A Marília então foi conosco para conhecer nosso canto, com a sua moto. Fidèle foi com o Eric e eu de carona no carro do Alphonse, que passou também para ver o festival. Sua mãe, Dona Josephine, é desse vilarejo e estava lá.

A viagem foi tranquila, só que o pneu do carro furou quase chegando em Dédougou. O Alphonse telefonou pedindo ajuda, mas Eric, Fidèle e Marília vinham atrás de moto e Eric e Fidèle entraram no vilarejo e pediram ajuda (por sorte paramos bem em frente de um) ... perdemos uns 40 min nessa mas chegamos todos bem, imundos, contentes e muito cansados!

Colocamos também um vídeo e fotos mostrando um pouco da festa!

Toma e Koin - uma missão

Como não podemos perder oportunidades, resolvemos esticar o final de semana e viajar para Toma. Nosso amigo Fidèle nos convidou para assistirmos o festival de máscaras de Nimina, que começaria na semana passada e foi adiado para este final de semana. Como Nimina é um pequeno vilarejo e fica muito perto de Toma (15 Km) nos hospedamos lá e convidamos a Marília pra ir com a gente. Mas dessa vez, aproveitando também que estaríamos por lá, fomos visitar um curandeiro, Jean Pierre, amigo do Fidéle, que mora em Koin (8 Km de Toma).

O plano era chegar na hora do almoço e visitá-lo à tarde e na segunda-feira ir para Nimina assistir o segundo dia de saídas das máscaras (que segundo dizem é o melhor dia) e de lá voltar para Dédougou; chegaríamos no início da tarde.

Fomos de ônibus de Ouaga para Toma, batizando a Marília nessa aventura. A viagem foi tranquila, triste foi que quase chegando, perto de um vilarejo, vimos uma criança sendo socorrida na beira da estrada, provavelmente morta atropelada.

Chegando em Toma nos damos conta, mais uma vez, que por aqui não adianta muito planejar o seu dia. Fidèle não estava, tinha ido num outro vilarejo para um funeral, mas seu filho Bernard nos acompanhou e depois de almoçar passeamos um pouco pela cidade. Dessa vez ficamos num hotel porque no dia anterior, sábado dia 28, teve o funeral anual, uma grande festa que reune os familiares daqueles que faleceram neste ano e a casa da família Ki-Zerbo, onde ficamos da outra vez, estava cheia. O Fidèle chegou no final da tarde, meio alegre de dolô, e fomos com a Marília na casa dessa mesma família (Ki-Zerbo) para tomar o dolô da Dona Josephine. Dessa vez estava conosco seu filho Alphonse, padre, que nos acolheu na sua casa na última vez.

Segunda-feira então retomamos o plano. Fomos cedo para a casa do Jean Pierre em Koin, que nos acolheu gentilmente e mandou preparar um frango pra gente. Bem, isso demorou, também tinham outras pessoas lá para serem atendidas. Ele trata as doenças com plantas medicinais e, por se tratar de um líder animista, não é só o aspecto físico que ele “vê”. Fomos primeiro nós dois e depois a Marília, sempre com o Fidèle traduzindo a conversa. Ele nos atende numa casinha cheia de fetiches e a conversa é bem tranquila, sentimos uma energia boa e a experiência foi legal... inesquecível. Depois que ele nos atendeu, almoçamos o de sorgô vermelho, molho de baobá e o frango que ele mandou preparar. Fomos embora, os três, com algumas missões para cumprir!

sábado, 28 de novembro de 2009

Aniversário da Ju com os elefantes

Aproveitamos que estávamos na capital para anteciparmos o final de semana, comemorar meu aniversário (dia 28) e curtir um pouquinho o lado turístico daqui antes de ir embora... falta pouco! Fomos para Nazinga com a Marília e a Marine (uma francesa de férias aqui, irmã do Jerôme que mora com a Marília e que trabalha com a Anne). Alugamos um 4X4 e saímos de Ouaga por volta das 13h em direção a Reserva de Nazinga. Esta reserva fica no sul de Burkina Faso, a cidade mais próxima se chama Pô a 145 Km de Ouaga. A reserva foi criada em 1979 por um canadense com o objetivo de proteger a fauna e manter o equilíbrio ecológico local, hoje é um espaço protegido também pelo governo burkinabês e muitos estudos são feitos na área. São 94.000 hectares em plena savana, a chamada Floresta de Nazinga, onde mais de 20.000 grandes mamíferos vivem livremente. Isso inclui todas as espécies presentes no país, com exceção dos leões que não estão mais nessa área.

Foi bem mais tranquilo viajar de carro ! Fomos curtindo a paisagem, que depois de Pô mudou um pouco, afinal estávamos entrando no “País dos Gourounsi”, etnia predominante local. Ainda na estrada principal entre Ouaga e Pô, Eric estava meio dormindo no carro e de repente viu pela janela “ih, um elefante”! Foi um susto!!!

Chegamos na entrada da reserva por volta das 17h, pagamos todas as taxas e iupiii! Mais 35 Km até chegar no acampamento! Pedimos o Djibril, nosso motorista, se poderíamos subir no teto para ver melhor a paisagem! Doeu o bumbum, mas adoramos! Logo nas primeiras horas vimos uma família de elefantes e pegamos um pôr-de-sol lindo! Eles desligam o gerador da reserva cedo (às 22h) e como não é muito aconselhável ficar perambulando à noite por causa das hienas, fomos dormir cedo. Fez muito frio mas o luar e silêncio da floresta nos embalou...

Acordamos às 6h, no dia 28, meu niver, empolgadíssimos para explorar a savana africana! O nascer-do-sol foi lindo, na beira do lago, tomando café da manhã, ouvindo os pássaros cantando e até um “bambi” que passou pulando! Subimos então no 4X4, nós 4 e o guia, no teto para não perder nada! O auge do passeio foi quando encontramos uma família de elefantes, bem perto da trilha por onde passamos. A mamãe ficou brava e veio botar a gente pra correr! O engraçado foi que o motorista ficou com mais medo do que a gente e correu mais do que precisava... foi muito legal (vejam o vídeo abaixo)!!!

Vimos então elefantes, famílias de elefantes... os bebês são fofos demais! Vimos famílias de “bambis” igual no desenho, malhadinhos; de alces e de javalis que para nós é o “pumba” (personagem do filme do Rei Leão). Também vimos diferentes espécies de antílopes: a palanca (Hippotragus), a palanca-vermelha (Hippotragus equinus), o cob-comum (Kobus kob) e o bauala ou gazela-pintada (Tragelaphus scriptus). Vimos um babuíno comendo tranquilamente numa árvore e muitos muitos pássaros diferentes e coloridos, um mais lindo do que o outro!
Foi show!

Tivemos que voltar para Ouaga no final da manhã porque Eric e Marília tinham compromisso, mas ficamos todos felizes com o nosso passeio! Passamos num maquis com a Anne, a Marine, o Jerôme e a Leila e no final da tarde assistimos uma peça de teatro no CCF. E, ainda, nosso amigo Jacques (agora aposentado mas que trabalha com o Eric na Fundação) chegou em Burkina Faso para uma semana de missão para um novo projeto... carinhosamente lembrou do meu aniversário e além de um presentinho nos deu um pedação de queijo comté!!! Fechando o dia, quase às 2h da manhã, mamãe, papai e Rapha cantaram parabéns e assopraram velhinha pra mim pelo Skype! Adorei e estou com vontade desse bolo até agora! Enfim, bem diferente esse meu dia!

... na véspera do nosso passeio, na quinta-feira à noite, a Claire, o Pierre e a Anne fizeram um bolinho para comemorarmos com direito a presente e tudo, pra mim e para o Eric atrasado! Umas graças!

Vejam a montagem que fizemos com os filminhos e as fotos!

domingo, 22 de novembro de 2009

Ouaga – Parte III

Partimos novamente para Ouaga. Mesmo esquema de sempre: sobe moto, sobe cabra, sobe cordeiro, sobe galão de plástico, sobe sacos, sobe malas, espera o ônibus “ficar pronto”... uma hora de atraso! Ok, ônibus lotado e vambora! O ônibus dessa vez estava reformado, pintadinho, com as janelas ok. Um tempo depois de viagem começa a gritaria “pára que o cordeiro quer descer!” O cordeiro estava com as patinhas caindo do teto do ônibus, esperneando! Pára tudo, arruma o bichinho e vambora! Mais pra frente novamente a gritaria “Hei! Tem gasolina escorrendo do teto!” E o povo correndo para fechar as janelas. Sim, alguém “transportou” gasolina em galão de plástico, não fechou bem, não devem ter avisado ao pessoal que “arruma” o ônibus... e dá nisso. Perigo! Mais pra frente novamente gritaria ““pára que a cabra quer descer!”. Pindurada, esperneando, coitadinha. Pára tudo, arruma o bichinho e vambora! Mais pra frente, levo um susto com o Eric vindo pra cima de mim fechando a janela, era ainda a gasolina, dessa vez escorrendo pela minha janela. Levei umas gotinhas que me perfumaram o resto do dia! E... nisso tudo lá se vai o aspecto “novinho” do ônibus. A estrada estava péssima e dessa vez batemos o recorde: O I T O H O R A S de viagem (só pra lembrar: são 230 Km)!

Quando chegamos em Ouaga só deu para pensar em tomar banho, comer e dormir... meio calados. Mas deu tempo de matar a saudade de uma pizza! Dessa vez temos muita coisa pra fazer em Ouaga. Nós dois viemos, principalmente, para participar de eventos. Eric foi no Fórum TIC Agricultura e eu nas Jornadas Científicas Res@tice 2009 ... que felizmente calharam nas mesmas datas! Para ambos foi muito legal ter participado. No Res@tice tinham participantes de 20 países (Burkina Faso, França, Canadá, Bélgica, Egito, Marrocos, Camarões, Tunísia, Arábia Saudita, etc) e eu era a única da América Latina. Foi legal principalmente para conhecer o que está sendo discutido nesses países e constatar que, guardada as devidas proporções, os desafios são os mesmos: vontade política, capacitação e formação de pessoal. O Fórum TIC Agricultura reuniu da região vindos não só de Burkina Faso mas também do Mali, da Costa do Marfim e do Gana.

Também aproveitamos para visitar a Cour aux 100 métiers da ATD Quarto Mundo aqui no Burkina Faso... adoramos! Nossas amigas Cíntia e Mariana, voluntárias permanentes, nos ajudaram a entrar em contato com o pessoal daqui e tivemos um encontro muito interessante.

Também reencontramos a Claire, amiga do Pierre e da Anne que estava no finalzinho das suas férias por aqui e, numa das nossas passagens pelo trabalho da Anne (CCF), reencontramos os brasileiros que conhecemos da outra vez, a Marília e o Daniel que dessa vez estava com a sua namorada. Ela se chama Leila e apesar de ser belga, é mais brasileira que outra coisa! Ai que saudade!

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Aniversário do Mardoché

Às 7h30 da manhã telefona um senhor do mercado que ficou de arrumar mandioca pra gente. Tínhamos pedido pouco, mas veio muito. Pensamos então que seria uma boa tentar fazer bolinhos de aipim... "mas com o quê dentro? Hum... queijo! O queijo das freiras!" As freiras que fazem o queijo moram a uns 5 Km de Dédougou... tudo por um queijo!

Passamos na casa da Francine e o nosso amigo Mardoché (filho do meio) estava emburrado porque não ia ter nada para comemorar o aniversário dele. Só que o Pierre já tinha combinado que eles iriam na nossa casa no final da tarde. Enquanto isso nós fomos atrás do queijo!

Chegamos em casa e fomos direto começar os preparativos e o Mardoché ajudou a gente a fazer os bolinhos! Como na casa dele não tem cozinha, tudo é legal, ele mexe em tudo e temos que ficar muito atentos, tínhamos que arrumar algo pra ele fazer logo:



Bem, nosso bolinho ficou muito bom! Delicioso! Adoramos! Ficamos suspirando quando experimentamos os primeiros e, como uma dupla que faz um ponto, vibramos: A B A L O U nosso bolinho! Falamos com tanta entonação que o Mardoché repetiu igualzinho: abalou! Rimos muito!!!

Foi um sábado “agitado” depois dos dias que passei de molho com o pé pra cima! Apesar de ter recebido várias visitas :) já estava cansada!

sábado, 14 de novembro de 2009

Hipopótamos!

Ai ai, que dia! Que dias! Ficamos 3 dias sem conexão para a internet e em alguns momentos até sem sinal de celular. Eric continua saindo bastante e trabalhando bastante. Eu estou trabalhando na medida do possível, pois dependo mais da internet, e tentando fazer outras coisas que depois conto!!

Bem, uma amiga do Pierre, Claire, chegou em Dédougou para passar uns dias e nesta quinta-feira ela combinou com o Youl dele ser o “guia” e levá-la em Lery (50 Km de Dédougou) para ver os hipopótamos. Ela perguntou se a gente não queria ir junto e meio indecisisos resolvemos ir. Eu não poderia mesmo fazer muita coisa pois na quinta não tinha voltado a conexão. Eric não tinha visitas agendadas, tinha que escrever, mas como ainda não tínhamos ido ver os bichinhos por causa das chuvas (o caminho é IMPOSSÍVEL) e já já vamos embora... fomos.

Lery é o local mais perto para ver os hipopótamos e onde tem o “Safari Express” – local onde os tubabus com dinheiro se hospedam para caçar. Lery fica perto da barragem do rio Mouhoun, alguns trechos são realmente lindos. No dia anterior, quando a Claire estava combinando com o Youl, tínhamos entendido que esse lugar (uma espécie de hotel), estaria aberto e que poderíamos inclusive curtir uma piscina, uma água gelada... até poder ver os “hipô”, que é sempre no final da tarde. Acontece que chegando lá, nos damos conta de que o local estava completamente abandonado! Tem um senhor que mora lá como caseiro e campo, só. Youl nos levou até o vilarejo mesmo, pertinho dali. Estava mesmo quente e ficamos umas 2 horas sentados, na sombra, dentro da cour de um amigo dele. Tinha umas 30 crianças paradas olhando pra gente, brincamos um pouco (ninguém falava francês) e voltamos para o local abandonado para fazer hora até às 16h, horário em que normalmente os hipopótamos começam a aparecer. Tentamos fazer um passeio de canoa pelo rio, mas segundo o Youl “tem muito hipô, pode ser perigoso”. Esperamos então.

Sinceramente nós dois ficamos frustrados e nos sentindo meio bobos de estar ali (como se já não bastassem todas as coisas que estão acontecendo). Finalmente, poderíamos ter saído mais tarde de Dédougou, já que tem “hora marcada” para ver os bichinhos e não seria tão cansativo, não tinha mais NADA para fazer lá e não tínhamos onde ficar, estava quente e mesmo na sombra não estávamos numa situação muito confortável. Melhor, entre as “deixas” que captamos, pareceu que a surpresa de encontrar tudo fechado, abandonado, foi só nossa.

Ok, lentamente mas às 16h chegou! Fomos então para a beira do rio ansiosos para ver os hipopótamos! Esse momento valeu à pena, cenário do Rei Leão:
entardecer, céu azul para rosa, muitos pássaros e ruídos da floresta, campo de algodão, rio calmo... água dourando com o pôr-do-sol. Silêncio. Os hipopótamos começam a fazer barulho, e aos pouquinhos começamos a ver as orelhinhas saindo da água e o chafariz que eles fazem para respirar, como as baleias.
Não deu para contar quantos tinham, uns 10 talvez. Infelizmente nenhum saiu da água de corpo inteiro, mas já foi lindo!

Pegamos então a estrada de volta para Dédougou, estrada não, trilha. E num dos trechos de areia, tivemos uma leve queda com a moto. Felizmente estávamos devagar e protegidos (calça, tênis, capacete), Eric só ralou a perna e eu machuquei o pé... tive uma luxação e agora estou com o pé pra cima! Nada grave!

Concluindo o dia, enquanto a gente estava fazendo o Raio-X do meu pé no hospital, nos parece que o Youl aproveitou a nossa ausência e cobrou da Claire um preço bem caro, 20 mil Francos, pelo serviço de guia turístico (?) ... o que também não gostamos muito, afinal ela não conhece muito o esquema.
... comemoramos assim nossos 5 meses de casados (no civil :p)